Conhecer o ambiente antes de iniciar o trabalho com sexualidade.
O início de todo e qualquer
trabalho educativo é marcado pelo estudo das características sociais e culturais
do grupo com o qual iremos trabalhar. Costumo dizer que o primeiro passo é
reunir o maior número possível de informações sobre o contexto educativo. E em
se tratando de corpo e sexualidade, o conjunto das informações obtidas
previamente poderá ser decisivo para o sucesso do trabalho em educação sexual. Quanto
mais ampla for a pesquisa, melhores serão as condições para a nossa análise. Nossa
busca inclui dados de caráter social, cultural, afetivo, econômico, religioso,
histórico, climático etc.
É preciso destacar que informações
tomadas isoladamente assumem característica de curiosidade invasiva, ou dito de
outra forma, de fofoca. Por isso enfatizamos que a realização deste diagnóstico
não se propõe, de maneira alguma, a fofocar sobre a vida alheia. A ideia proposta
é usar o conjunto de conhecimentos sobre determinado grupo, reflexivamente, para
possibilitar maior acolhimento aos alunos, às suas respostas, às suas crenças e
aos seus comportamentos. Uma compreensão expandida sobre a vida dos indivíduos
e do grupo com que iremos trabalhar minimiza situações embaraçosas para o
educador.
Então, iniciaremos o trabalho de
educação sexual procurando responder antecipadamente:
- Quais os principais hábitos e valores relacionados às vivências
corporais desta comunidade?
- Como eles foram estabelecidos?
- Quais as principais influências no comportamento relativo ao corpo
e a sexualidade que recebem as pessoas deste grupo social?
- Como esta comunidade se relaciona com os assuntos nacionais e
globais relativos ao tema corpo e sexualidade?
- Quais os desafios que este grupo me traz?
- Em que o meu trabalho irá impactar e melhorar a vida dos meus
alunos?
- Como os familiares serão impactados positivamente com o meu
trabalho?
- Quais os reais conhecimentos sobre o corpo e a sexualidade que eles
têm?
Muitas destas questões poderão
ser respondidas através de conversas informais no grupo social, ou observações
e escuta atenta sobre o modo de vida dos alunos em lugares públicos
frequentados pela comunidade - igrejas, praças, bares, mercados e etc. Às vezes
um rápido passeio na comunidade, com conversas breves e despretensiosas, ajuda
muito. Costumo preferir a informalidade do passeio à formalidade de uma
entrevista com a família.
A investigação prévia é
fundamental. Mas nem sempre ela é suficiente. Muitas serão as ocasiões em que o
professor necessitará complementá-la diretamente com os alunos. E isto pode
ser feito no início do trabalho educativo, através de dinâmicas e jogos
corporais descontraídas e eficientes.
Por fim, destaco a conveniência da
investigação previa ser atualizada ao longo do processo educativo, incrementada
e modificada sempre que seja necessário. Assim dito, sempre que pensarmos em
inovar ou ampliar significativamente o impacto do nosso trabalho, nós devemos dirigir
o olhar, com o máximo de atenção, para as características da comunidade além do
contato direto com os alunos no ambiente escolar.
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